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Automedicação e Farmácia Magistral

A saúde pública brasileira, assim como na maioria dos países do mundo, enfrenta dificuldades no controle da automedicação. Este fenômeno é amplamente discutido na cultura médico-farmacêutica, e compreendido como algo muito preocupante no Brasil.
Profissionais de saúde se empenham em orientar seus pacientes/clientes a buscar informações seguras com profissional habilitado e qualificado para evitar o uso indiscriminado e abusivo de medicamentos, porém estes hábitos não são tão facilmente modificados, tanto por parte do usuário como pelo sistema de saúde dos diversos países.
A automedicação é um procedimento caracterizado fundamentalmente pela iniciativa de um doente, ou de seus responsáveis, em adquirir e utilizar um produto que possa trazer benefícios no tratamento da sua doença ou alívio dos sintomas.
A automedicação inadequada, da mesma forma que a prescrição errônea, pode ter como conseqüência efeitos indesejáveis, enfermidades iatrogênicas e mascarar doenças evolutivas, representando um problema que deve ser prevenido. O risco da automedicação está relacionado com o grau de instrução e informação dos usuários sobre medicamentos, bem como com a facilidade de acesso dessa população ao sistema de saúde.
A forma de oferta de medicamentos e a eficiência dos serviços que controlam este mercado também exercem papel relevante nos riscos implícitos na automedicação.
No Brasil, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas, ABIFARMA, cerca de 80 milhões de pessoas são adeptas da automedicação. A má qualidade da oferta de medicamentos, a obrigatoriedade da apresentação da receita médica não respeitada em estabelecimentos farmacêuticos e a pouca instrução da população em geral justificam o excesso de automedicação praticada no País.
Em contrapartida se observa o crescimento das buscas de informações sobre medicamentos, doenças e tratamentos na Internet, onde uma população de nível sócio-cultural mais elevado se utiliza deste recurso, muitas vezes não confiável, para a prática da automedicação. Este mesmo meio de comunicação oferece produtos e tratamentos, com entrega em domicílio, o que mascara resultados estatísticos sobre os praticantes de automedicação.
Porém, observamos que a realidade nas farmácias magistrais no Brasil é totalmente diferente, pois nestes estabelecimentos há controle total a dispensação dos medicamentos, iniciando na recepção da prescrição médica nas áreas de atendimento até a conseqüente preparação dos produtos. Estes controles são comprovados através de registro informatizado contendo dados do prescritor e do paciente além de informações sobre as matérias-primas utilizadas, como o número dos seus lotes, o que permite total rastreabilidade, caso necessário.
O farmacêutico magistral segue normas rígidas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, garantindo a qualidade dos medicamentos elaborados e principalmente comercializando medicamentos somente mediante a apresentação de receita médica ou de profissional habilitado.
Normas dessa agencia, como a RDC 214, que recentemente passou a vigorar no país, repete o que a RDC 33, de 2000 já exigia em seu texto, como a avaliação da receita médica pelo farmacêutico, procedimento
Portanto, a farmácia magistral contribui de forma inegável para a redução da automedicação e colabora também na instrução da utilização de medicamentos ou produtos destinados à saúde da população através da assistência farmacêutica. Nesta prática, este profissional orienta quanto ao modo de utilizar os medicamentos, seus efeitos colaterais e reações adversas, interações medicamentosas e alimentares, além das funções individuais de cada componente de uma formulação personalizada.
Outro fator relevante no medicamento magistral é a personalização da rotulagem da embalagem, onde consta o nome do paciente, fato que já aumenta a compreensão dos usuários quanto a utilização de medicamentos de outra pessoa, já que a indicação é individualizada.
Complementando as características positivas das preparações personalizadas, podemos ressaltar também a quantidade de unidades a ser preparada e dispensada, pois permite atender exatamente a quantidade necessária ao tratamento prescrito pelo médico, caracterizando o uso racional de medicamentos, isto é, não há sobras, o que colabora muito com a redução da automedicação.

Gerson Appel - Farmaceutico da Dermus Fcia. Derm. e Cosmética Ltda



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