Partir comprimidos pode ser perigoso

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Dividir, triturar ou dissolver medicamentos é uma prática comum entre os consumidores, porém, não recomendada por médicos e farmacêuticos. O motivo? Partir o comprimido pode comprometer o seu tratamento e representar risco de intoxicação.

Os principais motivos que levam as pessoas a correrem esses riscos são: adequar a dose ou economizar dinheiro. Nós aqui da Dermus vivemos batendo nessa tecla: cada pessoa é única e o seu medicamento também deve ser. Isso porque a maioria dos medicamentos padronizados são vendidos em doses recomendadas para pessoas com peso médio de 70 quilos. Mas quando uma pessoa pesa, por exemplo, 50 quilos, a dose precisa ser ajustada para que a pessoa não sofra uma intoxicação por ingerir a droga em excesso. Por outro lado, um paciente com 120 quilos precisaria de uma dose maior para que o medicamento surtisse o efeito desejado no seu organismo.

Quanto à economia, muitas vezes o paciente encontra o seu medicamento à venda em uma versão com o dobro do peso pelo mesmo preço. Por exemplo, um paciente que usa o medicamento X de 60 mg viu que na drogaria existe o mesmo medicamento X só que de 120 mg pelo mesmo preço do de 60. Imediatamente surge a “brilhante” ideia: vou comprar esse de 120 mg, partir os comprimidos ao meio e então eu terei duas caixas de medicamento pelo preço de uma.

O problema em se partir comprimidos é que dificilmente as duas partes conterão o mesmo peso e quantidade de ativos, pois ao serem partidos os comprimidos se esfarelam, outros pequenos pedaços acabam se soltando ou uma das partes fica maior que a outra. Existe até um aparelho específico para facilitar a partição e qualquer pessoa pode ter um desses em casa. Mas, pesquisas e testes comprovaram que até mesmo os comprimidos partidos com esses equipamentos apresentam grande margem de diferença entre as partes.

É verdade que existem os comprimidos sulcados, que são aqueles que vem com um “corte” no meio justamente para facilitar a partição. Contudo, mesmo estes acabam esfarelando-se e ficando com as partes desiguais. Porém, os mais perigosos de se partir ao meio são as drágeas (“comprimidos” revestidos) e os medicamentos de liberação controlada.

Os revestidos (drágeas) são aqueles que apresentam uma “capinha” por fora, geralmente colorida, como é o caso do Benegrip. Esse revestimento liso e adocicado serve para várias coisas, como facilitar a deglutição, mascarar sabores ruins ou proteger o princípio ativo química e fisicamente. Certos ativos sofrem oxidação quando expostos à luz, ao partir uma drágea que contenha um desses ativos você expõe o conteúdo interno do medicamento, podendo afetar o princípio ativo e, consequentemente, a eficácia do seu tratamento.

Já os de liberação controlada são medicamentos que utilizam tecnologias que fazem com que os princípios ativos sejam liberados aos poucos no organismo. Isso ocorre porque alguns medicamentos precisam manter o efeito até que chegue a hora de o paciente tomar a próxima dose, ou quando diferentes princípios ativos de um mesmo medicamento precisam ser liberados separadamente, um de cada vez. Para isso utiliza-se diversas técnicas como as nanoesferas revestidas individualmente ou a distribuição dos ativos em camadas, por exemplo. Ao partir um medicamento dessa espécie você destrói a estrutura que organiza a liberação dos ativos, acaba misturando tudo e ingerindo uma bomba de substâncias de uma única vez. Assim, o efeito deixará de ser prolongado e, além de estar afetando a eficácia do seu tratamento, poderá ainda sofrer intoxicação por absorver todos os ativos de uma só vez.

Portanto, partição de comprimidos deve ser a última opção. Você sempre pode pedir para o seu médico receitar a fórmula do seu medicamento para ser feito em uma farmácia magistral. Assim, o seu tratamento será mais preciso e seguro, já que a fórmula será preparada de acordo com as suas necessidades individuais e levando em consideração as suas características físicas particulares. Caso não haja outro jeito e você tenha que partir um comprimido, converse antes com o seu médico ou com o farmacêutico. Somente esses profissionais são aptos para lhe dar orientações dessa natureza com segurança.

Fontes: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF SP)

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